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Como medir o retrabalho no processo — e quanto ele custa

Retrabalho raramente aparece em relatório. Ele se esconde como “ajuste”, “correção” ou “revisão”, e some na média.

Retrabalho é toda atividade que se repete dentro do mesmo caso: o pedido alterado pela terceira vez, o orçamento revisado, a aprovação que volta atrás, a peça devolvida. Nenhuma dessas ações é registrada como erro — cada uma parece só mais um passo do dia.

Por que ele não aparece nos relatórios

Relatórios contam resultados, não repetições. Um pedido alterado cinco vezes e um pedido perfeito aparecem igualmente como um pedido. A diferença entre os dois — quatro rodadas de trabalho refeito — não existe em nenhum indicador tradicional.

O event log, ao contrário, registra cada ocorrência. Se a atividade aparece três vezes no mesmo caso, houve duas repetições, e elas são contáveis.

Como se calcula o custo

O cálculo é deliberadamente simples, para ser auditável:

custo = ocorrências de retrabalho × tempo médio da atividade × custo-hora da equipe

Com 1.000 alterações de pedido, 30 minutos por alteração e custo-hora de R$ 50, o retrabalho dessa atividade custa R$ 25.000 no período. Nenhuma das três variáveis é estimada no escuro: a contagem vem do log, o tempo pode ser medido entre eventos e o custo-hora é dado da própria empresa.

Quatro cortes que mudam a decisão

Por atividade

Qual etapa é refeita com mais frequência. Costuma haver uma dominante, e atacá-la resolve a maior parte do problema.

Por cliente ou fornecedor

Retrabalho concentrado num parceiro específico normalmente indica cadastro incorreto, regra comercial mal definida ou combinado informal fora do sistema.

Por produto

Item que exige alteração recorrente costuma ter problema de cadastro, de preço ou de disponibilidade — não de processo.

Por usuário e equipe

Serve para identificar falta de treinamento ou etapa mal desenhada. Vale um cuidado: retrabalho concentrado numa pessoa quase nunca é problema da pessoa; costuma ser da etapa que ela executa.

Do diagnóstico à automação

Medir é o pré-requisito de automatizar. Com o retrabalho quantificado por atividade, fica claro qual repetição é frequente e mecânica o bastante para valer automação — e qual não vale, porque exige julgamento. Automatizar sem essa medição acelera a etapa errada.

Veja o método completo em o que é process mining, ou aplicado em compras e vendas.

Perguntas frequentes

O que conta como retrabalho num processo?

Toda atividade que se repete dentro do mesmo caso: alteração, revisão, cancelamento seguido de recriação, devolução, reprovação que volta uma etapa. A definição exata é acordada com a área, porque depende do que é exceção em cada operação.

Como calcular o custo do retrabalho?

Multiplicando as ocorrências pelo tempo médio da atividade e pelo custo-hora da equipe. A contagem vem do log de eventos; o tempo pode ser medido entre eventos consecutivos; o custo-hora é informação da empresa.

Qual é um índice de retrabalho aceitável?

Não existe número universal — depende do processo e do setor. O que importa é a linha de base da própria operação e a tendência: medir hoje, agir sobre a atividade dominante e medir de novo.

Comece pelo diagnóstico

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